O Hospital de Base é o principal polo médico na região Noroeste de SP. Foto divulgação

O Centro Integrado de Pesquisa (CIP) do Hospital de Base de Rio Preto participa de estudo multicêntrico que pode comprovar a eficácia da Dapaglifozina, medicamento até então utilizado para o tratamento do diabetes e da insuficiência cardíaca, também em benefício de pacientes com a covid-19. “Nosso objetivo é comprovar que a Dapaglifozina pode atuar como agente protetor do coração e dos rins, evitando ou minimizando os danos a estes órgãos em pacientes infectados com o coronavírus”, explica a cardiologista Lilia Nigro Maia, diretora do CIP do Hospital de Base e investigadora principal neste estudo.
O estudo deve ser concluído até dezembro e será submetido à aprovação (para o uso do medicamento) da Anvisa –  Agência Nacional de Vigilância Sanitária e do FDA (Food and Drug Administration), dos Estados Unidos, e da European Medicines Agency (EMA), da União Europeia.
O estudo começou em junho de 2020 por iniciativa do cardiologista Mikhail Kosiborod, do Saint Luke’s Mid-America Heart Institute, de Kansas City, nos Estados Unidos, e recrutou doentes com covid-19 voluntários do Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e Índia.
A dapagliflozina age diretamente nos rins inibindo uma proteína que é responsável pela reabsorção de glicose para o sangue (SGLT2-cotransportador de sódio e glicose tipo 2). Quando o SGLT2 é inibido, a glicose em excesso não retorna para a circulação sanguínea e é removida do corpo pela urina, consequentemente, ocorre uma redução dos níveis de açúcar no sangue. Daí porque o medicamento foi lançado em 2015 para diabéticos.
No ano passado, no entanto, médicos comprovaram também a eficácia da Dapaglifozina em reduzir o risco de insuficiência cardíaca, trabalho cuja apresentação contou com a presença da Dra. Lilia e foi aplaudida por especialistas de todo o mundo no Congresso Europeu de Cardiologia.
Agora, a dapaglifozina está prestes a ser indicada para doentes da covid-19, como esperam os médicos envolvidos no estudo que, no Brasil, tem como médico coordenador o cardiologista Otavio Berwanger, do Hospital Albert Einstein, e conta com a participação de 12 instituições de saúde, envolvendo 187 pacientes.
O CIP do Hospital de Base de Rio Preto concentra 53 dos 187 pacientes, ou seja, 28% do total, sendo a instituição que mais recrutou voluntários no país.
Como requisitos para participar do estudo, o paciente deve ser avaliado como de risco moderado, estar internado em enfermaria ao menos há quatro dias, sem o uso de oxigênio ou dependente de pequena quantidade (cinco litros de oxigênio por minuto) e que possua ao menos um fator de risco para o coração ou rim. Durante o estudo, os pacientes podem estar internados ou ter recebido alta hospitalar, sendo acompanhados em casa.