O cão Sadan com o cabo Lopes: morto em 2012, ele se destacava por agir na hora exata. Foto divulgação

 O cães que atuam como auxiliares da Polícia Militar vão ganhar um memorial em S.J.Rio do Rio Preto, o primeiro no Brasil. O Pet Paz Crematório inaugura neste sábado (10), às 9 horas, o Memorial K9 em homenagem aos falecidos Cães Policiais Militares da Companhia de Ações Especiais (CAEP – São José do Rio Preto). Os cães que prestaram serviços dedicados à sociedade, em uma longa jornada, serão representados por uma estátua de bronze de um exemplar da raça Pastor Belga Malinois, e serão eternizados durante a referida homenagem.

Sadan era um pastor alemão considerado policial exemplar. Foto divulgação

 O termo K9, na realidade, se pronuncia em português como “cá nove”; em inglês a pronúncia é “kei nine”, uma abreviatura com mesmo de canino, no inglês canine. Tal termo pode se referir a diversos temas relacionados ao mundo canino. Originalmente teve início no meio militar (military dogs) e, posteriormente, passou a se referir mais comumente aos cães utilizados na atividade policial.

A inciativa surgiu da intenção em homenagear os cães policiais que já se foram e que atuaram como patrulheiros na detecção de bombas, drogas, encontro de pessoas em matas, escombros, etc., e em missões especiais. O cão policial-militar desempenha também funções como busca e resgate em estruturas colapsadas ou guarda e proteção, na imobilização e contenção de indivíduos que infringem a lei. São capazes, ainda, de atuar como mensageiros e serem treinados até para saltar de helicópteros com seu parceiro humano.

“Todos os cães da polícia poderão ser cremados e terão um local de destaque no Pet Paz. Essa é uma forma de homenagearmos cães policiais que combateram o bom combate contra o crime”, afirma Moacir Antunes Junior, diretor do crematório.

O 1° Tenente PM Cássio Vinícius Caetano Lenarduzzi – Oficial responsável pelo Canil da CAEP explica que o trabalho com os cães policiais começa desde cedo. “Com cerca de 30 dias de vida, os cães passam por uma espécie de avaliação para verificar se possuem as características e o comportamento desejado para ser um cão da Polícia Militar. Verificamos se o cão possui medo, se tem interesse por brincadeiras, se é corajoso, se tem vigor físico, e disposição para as atividades propostas. Também é realizada uma avaliação veterinária para checar a linhagem e se possui propensão para determinados tipos de doenças. Gradualmente, com 3 meses de idade é iniciado o treinamento do filhote.”

O cão é submetido a treinamentos e processos de socialização com pessoas e outros animais, a ambientação em diversos tipos de locais, obediência, faro de entorpecentes, explosivos, guarda e proteção, busca e captura de pessoas, conforme a função para o qual exercerá quando adulto.

Um dos homenageados será o cão Sadan, falecido em 2012.  Esse cão atuou na Polícia Militar por oito anos e após sua aposentadoria teve como tutor, o seu treinador Cabo PM Lopes.

O Cabo PM Lopes conta que Sadan sabia o momento exato de agir. Entre muitas atuações em revistas de presídios, campos de futebol, entre outras, uma ficou marcada: “Era final de baile de carnaval e estávamos passando a ronda quando vimos uma multidão e uma briga com muitas pessoas. Rapidamente Sadan recebeu o comando, dispersou a multidão e a briga rapidamente sem nenhum contratempo. Sadan foi um cão policial com índole, temperamento e equilíbrio diferenciados. Essa homenagem é uma honra”, finaliza Lopes.

“Como todo trabalhador, o cão precisa se aposentar depois de cumprir inúmeras missões. Os cães policiais se aposentam com oito anos de idade, no auge de sua forma, para que possa passar mais alguns anos na inatividade, aproveitando a nova fase de sua vida. Momento triste? Muito pelo contrário! Isso porque normas internas determinam que o Policial Militar que passou maior tempo com aquele cão, tem prioridade de ficar com o animal e levá-lo para casa em função do vínculo afetivo criado entre os dois”, conclui o 1° Sgt PM Leonardo Thomaz da Costa – Comandante do Canil da CAEP.