Tranquilo e pacífico, Orlando Bolçone foi duas vezes candidato a prefeito, é deputado estadual em segundo mandato e poderá sair a federal em 2018, se o partido definir.

S.J.Rio Preto, cidade sede de uma macrorregião considerada das mais ricas do interior do Estado de São Paulo, corre o risco de ficar sem grandes investimentos nos 3 próximos anos. O atual prefeito, Edinho Araújo (PMDB) pode entrar para a história como o governo que apenas entregou obras iniciadas. A situação é complicada não apenas pela crise política e econômica que afeta o Brasil.

Edinho recebeu uma caixinha de surpresas. O ex-prefeito Valdomiro Lopes deixou uma prefeitura modernizada, mas com limites de contratações de comissionados, pois realizou concursos em todas as áreas. Edinho não pôde escolher, teve de convocar uma dezena de concursados para cargos em secretarias estratégicas como a comunicação. Não que isso seja ruim para os cofres públicos. Mas, no folclore político praticado no Brasil, complicou a vida do prefeito, que não pode nomear indicados de aliados.

Além disso, ele está sem recursos, sem projetos e atormentado pelo drama vivido seu partido (PMDB), alvo de denúncias da lava-jato. E seu tormento não para aí, o ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB), mantém sob seu domínio um grupo de vereadores, que desestabilizam o governo e garantem a ele a segurança de que suas contas serão aprovadas e projetos que poderiam comprometê-lo, rejeitados. Uma surpresa que Edinho não contava. Ele considera Valdomiro ardiloso, mas não sabia o quão meticuloso ele poderia ser.

A vitória do PMDB nas eleições 2016 ao invés de levar a legenda ao pódium em Rio Preto, jogou Edinho num bunker onde a guerra começa com a Câmara Municipal e se amplia com a crise do partido em nível nacional. Esse pode ser o pior mandato para Edinho, que em 8 meses só conseguiu recapear ruas e pintar faixas, com uma licitação feita pelo ex. Assim como entregar casas, preparadas por Valdomiro, como é o caso do Vida Nova Dignidade, o qual ele visitou a casa modelo, no último sábado (22). Não que ele não queira fazer mais, ele não tem como fazer, nem dinheiro nem maioria na Câmara.

A maré é tão imprópria, que a cidade ficou até hoje sem titular na Educação, uma pasta estratégica, simplesmente porque não havia nomes adequados para o cargo e os que surgiam, recusaram. Hoje (25), Edinho nomeou uma servidora de carreira para o cargo, Sueli Costa.

Político experiente e colecionador de vitórias, o prefeito já percebeu que a vitória fácil na última eleição pode se tornar uma conquista pífia numa carreira  política marcada por boas escolhas até aqui. Aos rio-pretenses resta torcer para que ele demostre resiliência e coloque em prática sua expertise, para que Rio Preto não se torne uma cidade sem investimentos e com crescimento paralisado nos próximos anos.

Enquanto isso

Valdomiro Lopes segue sem mandato, mas as grandes obras o cacifam. E isso não é elogio. É fato. Porém, seu lado explicitamente ardiloso afasta até simpatizantes mais convictos. A manobra para tentar voltar à Assembléia Legislativa de São Paulo e mandar o deputado estadual Orlando Bolçone para Brasília como federal, continua  em andamento e é um exemplo do pragmatismo que ele vem praticando desde que virou prefeito em 2008. Não que isso lhe tire votos. Então…

A possibilidade do ex-prefeito sair candidato a estadual é real e concreta, pois o vice-governador de São Paulo, Márcio França, presidente estadual do PSB, articula candidatura a governador na sucessão de Geraldo Alckmin (PSDB). França é amicíssimo de Valdomiro e fica hospedado em sua casa, quando vem a Rio Preto.

França precisa dos votos de Valdomiro para alavancá-lo na região. Orlando Bolçone é um político ético e muito querido, mas não tem o prestígio e a força política do chefe da legenda em Rio Preto (Valdomiro).

Portanto, o PSB na região segue como sempre foi, orquestrado pelo ex-prefeito Valdomiro, que sabiamente escolheu Bolçone para pupilo, pois sabe que ele, com sua índole irretocável, jamais o contrariará e muito menos o surpreenderia com um confronto ou ataque.

E

Enquanto o quadro entre prefeito e ex se delineia, o PSDB segue calado depois das denúncias envolvendo o senador Aécio Neves. O único político com mandato do partido na cidade, o deputado estadual Vaz de Lima, observa com cautela a possibilidade de confronto com Valdomiro nas urnas, caso ele saia estadual. Vaz também não definiu se fica no parlamento paulista ou se lança rumo a Brasília para apoiar Alckmin na sua investida de novamente tentar ser o Presidente do Brasil.

DEM

O DEM de Rio Preto segue os caminhos do deputado federal e atual secretário estadual da habitação, Rodrigo Garcia. Ele planeja sair candidato a vice-governador ou a senador. Não se decidiu ainda e aguarda os rumos de Alckmin, com quem tem atuado como parceiro nos últimos mandatos.

PT

O PT em Rio Preto segue dominado pela família Rillo. Análises indicam que a família corre o risco de ficar sem a cadeira de deputado estadual ocupada por João Paulo Rillo. Dono de um temperamento destemperado, Rillo coleciona desafetos em todas as esferas. Suas possibilidades de reeleição após os escândalos envolvendo o PT em corrupção somada à sua cega fidelidade à Lula, podem leva-lo ao ostracismo. Porém, política é caixinha de surpresas. E Lula está embarcando rumo ao seu reduto mais forte, o Nordeste. E já incluiu o interior de São Paulo e as periferias na rota em busca dos bolsa-famílias, seus fãs e eleitores garantidos.

O texto está longo, então vamos nos restringir. E aguardar as regras eleitorais. Uma coisa é certa. O tabuleiro está em movimento, mas o jogo ainda está no começo. Encontrei uma análise perfeita do cenário nacional, que reflete nos municípios. Confira, aqui.