Edward Pimenta é expert em brandend content e era digital.
Edward Pimenta é expert em branded content e era digital.

O título acima é conclusãodo jornalista Edward Pimenta, diretor do estúdio Abril Branded Content sobre o futuro do impresso na era digital. Ele esteve nesta segunda-feira (17) em S.J.Rio Preto para uma palestra sobre mídias digitais e branded content. Riopretense, ele atuou no jornalismo impresso (que chama de off line), desde a virada de 2000, quando iniciou com um jornal em Mirassol e seguiu como redator e editor nas revistas Superinteressante, VIP, Playboy e outras da  editora Abril. Terminou atuando com a última tendência da era digital, o branded content, que é  conteúdo promovido de alguma forma por uma marca. Sobre os corpos pelo chão, ele quis dizer que o jornal impresso (off line) que não correr atrás do digital… ficará no limbo. Confira na entrevista. 

Política e afins – O que levou a editora Abril a criar o estúdio Branded Content? 

Edward Pimenta – Foi em 2012, quando estávamos desenhando uma série de movimentos dentro da Abril. Porque todos os grandes publishers estavam fazendo isso no mundo. Nós fomos os primeiros a fazer isso no Brasil. É para uma demanda que continua aumentando. Em 2014 houve uma reestruturação da Abril e nessa virada, decidimos. O estúdio nasceu maior e com gente mais parruda, com alguns jornalistas da casa que ajudaram a montar. Hoje a gente tem uma equipe jovem.

P&afins – Você acha que a era digital vai fazer o impresso (o off line) se reinventar?

Pimenta – Eu acho que já se reinventou. O Washington Post e o New York Times são marcas consagradas e que têm grande credibilidade e são dois casos de absoluto sucesso. Eles fizeram um investimento no digital suficientemente grande e colocaram o off e o on na mesma relevância. Quando há esse investimentos e as marcas conseguem entender o device, a notícia, do jeito certo. O espírito da era digital é oferecer para o leitor no momento que ele quer consumir e do jeito que ele quer consumir com a abordagem certa… Os jornais americanos conseguiram monetizar a operação digital, que é agora tão relevante quando o off line.

P&afins – Isso funcionaria mesmo em um universo menor como S.J.Rio Preto?

Pimenta – Mesmo em casos como Rio Preto. O conteúdo hiper local os grandes jornais já não cobrem mais. O conteúdo local precisa ser muito bem visto. Sim, eu acho que muitos corpos vão ficar pelo chão. Mas, os players estão bem posicionados, como é o caso do Diário da região, que pode fazer um conteúdo que nenhum grande player consegue dar. É investir em reportagem local. No digital isso é muito relevante também. Eu só penso em relações que se complementam. É evidente que se você analisar as grandes tiragens antes da revolução de 90, antes da era digital, era outro patamar, outro tamanho. Mas, com o avanço do digital está todo mundo tentando se reinventar.

P&afins – No caso de crises como a deflagradas no mercado de carne, após a Operação Carne Fraca, algumas marcas saíram bem chamuscadas, como é o caso da Friboi, um cliente seu. Haverá uma campanha com branded content? O Branded Content pode amenizar essa repercussão negativa?

Pimenta – Sem dúvida. Eles não fizeram nada ainda. Mas, eu vou sugerir que façam. Porque o branded content faz com que a empresa cuide principalmente de sua reputação. Se você cuida da sua reputação via conteúdo, é muito mais difícil quando surge uma crise dessa, alguma coisa colar em você.

P&afins – Você considera que o Branded Content assim como outras vertentes da mídia digital são opções para os jornalistas da atualidade, um novo filão?

Pimenta – Sim. Branded Content não é jornalismo. Jornalismo tem um escopo completamente diferente. Mas, são jornalistas que fazem porque eles dominam as técnicas de contar histórias e essas técnicas são comuns. Quando o jornalista vira a chave e decide fazer conteúdo para marca a coisa acontece lindamente, porque ele começa a empregar tudo aquilo que ele sabe e surgem boas histórias, bons conteúdos.

P&afins – Qual o perfil da sua equipe? 

Pimenta – Tem que falar inglês e espanhol. Tem que ser nativo digital e entender a lógica das redes sociais. Eu não nasci digital, sou um migrante digital, mas é perfeitamente possível se interessar genuinamente por esse universo. Mas, tem que ser poliglota.