Pteroglossus castanotis (araçari-castanho), registrado durante a pesquisa
Pteroglossus castanotis (araçari-castanho), registrado durante a pesquisa

Estudo realizado por Shayana de Jesus, aluna de doutorado da Unesp de S.J. Rio Preto, indica que o cerrado brasileiro representa a maior e mais rica savana neotropical, cobrindo aproximadamente 20% da área do território nacional e que nela habitam 271 espécies de aves nos fragmentos florestais, pertencentes a 57 famílias, sendo que sete destas espécies são endêmicas do Cerrado. O estudo foi feito no cerrado goiano. Foram registradas espécies oriundas dos biomas limítrofes: 14 da Amazônia e 17 da Floresta Atlântica.

Quem

O estudo inclui um levantamento do número de espécies existentes nas áreas florestais e os efeitos na conservação e na extinção das espécies, considerando as características ambientais das florestas e as paisagens no bioma. O trabalho é orientado pelo professor Wagner André Pedro, coordenador da pesquisa no programa de Pós-graduação em Biologia Animal da Unesp, em São José do Rio Preto.

Necessidade de preservar

O estudo da Unesp indica ainda que no Cerrado, as áreas florestais têm sido fragmentadas principalmente por conta da expansão das atividades agropastoris. Entre os anos de 2012 e 2014, foram realizadas amostragens em 17 fragmentos florestais. A pesquisadora detectou o predomínio de 115 espécies dependentes florestais, aquelas que se alimentam e se reproduzem principalmente em florestas. Também foram registradas 13 espécies com sensibilidade alta aos distúrbios ambientais, quatro ameaçadas de extinção em escala mundial e oito pouco documentadas para o Estado.

Agora

A pesquisadora ressalta a necessidade de desenvolver estratégias de manutenção em todo o bioma para garantir a conservação da avifauna florestal, mesmo que as áreas florestais sejam mantidas intactas. “Se a destruição das áreas savânicas e campestres persistir, os efeitos sobre as comunidades de aves florestais serão visíveis”, reforça.