A coronel Helena Reis: chefe de 2,2 mil homens.
A coronel Helena Reis: no comando da maior corporação da PM no Noroeste.

O blog conversou hoje (17) com a Coronel Helena dos Santos Reis, a nova comandante do CPI 5 – Comando de Policiamento do Interior de S.J.Rio Preto. Ela vai comandar uma área com 96 municípios e quatro batalhões, com um efetivo de 2.200 homens. Formada na Academia do Barro Branco, ela é nascida em S.J.Rio Preto e foi nomeada este mês pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Sua posse oficial está marcada para o próximo dia 31 de julho, às 10 horas. Helena informa que está ciente da grande responsabilidade e diz que já se sentiu sim, algumas vezes, vítima de preconceito por ser mulher. Vem saber.

 Política&Afins – Qual é a sensação de voltar para sua cidade para liderar a maior corporação policial da região?

 Coronel Helena Santos Reis – É uma grande honra estar de volta a Rio Preto agora na qualidade de comandante do CPI 5. Eu fiz carreira aqui na região e minha família vive aqui. Isso aumenta o comprometimento e a responsabilidade que a gente tem e é muito gratificante.

P&Afins – A senhora planejou essa carreira? Sonhou atuar como policial?

Coronel Helena – Eu tive grande influência do meu pai que era sargento PM e do meu irmão que também é policial. Entrei na PM por sugestão do meu irmão. Eu tenho vocação e me identifico com o trabalho da Polícia desde o início da carreira. Fiz escola de oficiais (Academia do Barro branco) e sempre tive em mente chegar ao mais alto posto da instituição, que é o de coronel, e este sonho se realizou. Eu trabalhei bastante e consegui realizar o sonho. Posso dizer que o trabalho árduo tem suas recompensas.

P&Afins – Quais foram os obstáculos até aqui? Sentiu discriminação por ser mulher?

Coronel Helena – A mulher tem que mostrar seu serviço de forma mais contundente que o homem. Sim, ainda existem preconceitos. E alguns erros, que normalmente são encarados como naturais pelos homens, quando se trata de mulher, as pessoas dizem que aconteceu porque é mulher. Então, a gente briga muito para que isso não aconteça e isso gera uma cobrança extra para sempre acertar, para estudar mais para ter um desempenho muitas vezes além das demais pessoas.

 P&Afins – Qual é o grande desafio em S.J.Rio Preto?

Coronel Helena – A segurança pública é um eterno desafio. É uma área bastante sensível e o que acontece numa grande cidade repercute e prejudica a sensação de segurança nas cidades menores. Nosso desafio é essa aproximação com a comunidade para melhorar a sensação de segurança. Para que as pessoas sintam que a Polícia Militar está presente e está atenta às suas demandas e aos seus problemas.

 P&Afins – Qual é a situação de Rio Preto em relação às demais cidades de São Paulo?

Coronel Helena – Estamos em situação privilegiada entre as cidades do mesmo porte. Rio Preto é a cidade que tem um dos melhores indicadores tanto da produtividade policial quanto de criminalidade. Apenas no mês de março prendemos 610 pessoas. São pessoas que estariam cometendo delitos nas ruas e que em razão do trabalho policial não estão mais. Temos aqui boa qualidade de vida e qualidade de vida inclui segurança pública.

P&Afins – O efetivo atende às necessidades da cidade?

Coronel Helena – Efetivo se mantém estável apesar do crescimento da cidade. Mas, nós trabalhamos com inteligência policial formas que encontramos para ampliar a sensação de segurança. Inclusiva com videomonitoramento em parceria com a Prefeitura. São medidas que ampliam o poder de atuação. Com sistemas inteligentes, planejamento é uma forma de driblar essa questão do efetivo.

P&Afins – Quando muda o comando as pessoas esperam medidas diferenciadas. A senhora tem alguma mudança a ser implantada?

Coronel Helena – A segurança pública se faz com planejamento e direcionamento. Temos que diagnosticar constantemente os quadros criminais e direcionar nossas ações para controlar os indicadores. Trabalhamos com treinamento do efetivo e ao mesmo tempo com humanização do atendimento e proximidade com a comunidade. Se trabalharmos bem o diagnóstico, o direcionamento, a sensação de segurança, a proximidade com a comunidade e a atividade preventiva creio que estaremos atingindo os objetivos da segurança pública.