Aícro Júnior:  já conseguiu o brevê de piloto privado.
Aícro Júnior: já conseguiu o brevê de piloto privado.

Aícro Barbosa da Cunha Júnior, 41 anos, é designer gráfico, formado em Desenho Industrial pela Unesp de Bauru. Atua na editoria de Artes do Diário da Região, em S.J.Rio Preto, tem artes plásticas como hobby e pratica corridas de rua e ciclismo, mas seu principal sonho é viver no ar, mais especificamente, dentro de um avião como piloto. E ele foi atrás de realizar isso e já é piloto privado. Para falar de sonhos e metas, ele bateu um Papo Rápido com o Política&Afins. Confira.

Política & Afins – Quem faz o curso de piloto busca nova profissão, pois é um hobby caro. Sua meta é se tornar piloto comercial?

 Aícro Júnior – Não. Eu sempre gostei de aviação e até o momento carregava uma certa frustração por não ter atuado nesse segmento. Assim resolvi fazer o curso de piloto privado não como uma nova profissão a ser seguida, mas como realização desse sonho pessoal. De fato, os valores das horas de voo costumam ser um elemento que faz a diferença para muitos que optam por investir nessa carreira, mas sempre tive ciência de quanto isso representaria em termos financeiros e a sensação de ter esse sonho realizado era muito mais importante.

P&A – Após acidentes como o que vitimou o candidato Eduardo Campos surge um medo de voar?

 Aícro – De maneira nenhuma, nunca tive qualquer receio quanto ao voo. Os acidentes aéreos de fato causam muita comoção e essa questão envolvendo os perigos do voo sempre estiveram presentes no imaginário das pessoas, mas eu tenho a convicção de que a aviação é sim um meio muito seguro. As medidas de segurança estão em constante aperfeiçoamento e os profissionais acompanham isso, sempre zelando pela propriedade e principalmente pela vida de todos que estão no ar e no solo, inclusive

P&A – Dizem os artistas que estreia dá medo e acontece sempre que se sobe ao palco. No caso da aviação: o medo é o mesmo a cada decolagem?

 Aícro – Eu diria que esse sentimento surge nos primeiros voos e está muito mais associado a um estado de ansiedade que um medo. Cada um pode reagir de diferentes maneiras, mas no meu caso, quando fiz o primeiro voo de instrução, fiquei sim muito ansioso. Como há um grande número de informações a serem transmitidas, os voos iniciais geralmente se resumem a uma apresentação básica dos comandos de voo e algumas manobras mais simples, até para que o aluno não fique sobrecarregado nesse momento e tudo é feito de forma bem gradual. Assim, à medida em que se familiariza com esses comandos, as missões vão prosseguindo e a ansiedade dá lugar à atenção aos procedimentos do voo propriamente dito, mas nunca tive nenhum medo ou receio. Os próprios instrutores de voo são profissionais muito preparados e têm total consciência dessas dificuldades e eventuais medos iniciais dos alunos, portanto, o processo acaba fluindo de maneira bem tranquila.

P&A – Qual o maior temor de um piloto (algo que ele sabe que pode resultar em queda)?

Aícro – Os pilotos são preparados para reagirem a praticamente todo tipo de emergência, de maneira que qualquer que seja a adversidade haverá um procedimento a ser executado, seja uma pane de motor, uma falha de comunicação. É óbvio que há acidentes fatais, infelizmente, mas não acredito que haja especificamente um temor ou um receio por parte de uma tripulação experiente.

P&A – Qual a maior alegria de um piloto?

Aícro – Ah… São muitas. A satisfação de conduzir uma aeronave com segurança, a responsabilidade que isso representa, enfim. Mas talvez, uma alegria considerada praticamente unânime, é sem dúvida o visual único que o voo proporciona. Poucas emoções são tão intensas quanto contemplar a paisagem vista do alto.

P&A – Qual a dica para quem pensa em fazer o curso de piloto?

Aícro – É uma atividade como outra que envolve muita dedicação e estudo. Ao contrário do que muitos pensam, a atividade não se limita somente a decolar e pousar avião. Há muito estudo envolvido nesse processo, sendo necessário o domínio de uma série de assuntos relacionados à aviação, que vão desde dos conhecimentos técnicos às teorias de voo, meteorologia, navegação, regulamentos, etc. Desnecessário mencionar a importância de saber inglês, uma vez que se trata do idioma universal da aviação, sendo imprescindível seu domínio, inclusive para atuar nas companhias nacionais. É preciso cuidar também da saúde. Há exames médicos importantes que precisam ser feitos e renovados com certa frequência. Embora muitos digam que o mercado está aquecido, é preciso estar preparado. O mercado em qualquer segmento é aquecido para quem realmente se dedica e estuda muito. No mais, esteja disposto a estudar e se envolver integralmente na profissão que os resultados certamente surgem.