Ele é o deputado estadual mais votado do PSDB paulista. É neto do governador Mário Covas, (ícone do tucanato e um dos fundadores do partido, morto em 2001). Sua meta é galgar mais um degrau na vida pública: vai deixar o parlamento paulista para se aventurar em Brasília, na Câmara dos Deputados. O atual secretário de meio ambiente do Estado, Bruno Covas (foto), já está percorrendo o Interior para consolidar seu nome e mostrar seu trabalho. Apesar de muito sintonizado com o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), ele não acompanha o governador na visita a S.J.Rio Preto neste sábado (27), mas antecipa ao blog o que pensa e pretende no 2014 que por aí vem.

Política e Afins  – O sr. é o deputado mais votado do seu partido no Estado. Será possível repetir o feito em 2014?

Bruno Covas – Serei candidato a deputado federal. O que significa outra eleição. O número de votos é reflexo do trabalho e do reconhecimento do eleitor. O que posso garantir é que nosso trabalho, meu e da minha equipe, é intenso, dedicado e comprometido com o que acredito.

P&A- Seu avô pegou o Estado quebrado na era pós-Quércia e iniciou um legado que prossegue com Geraldo Alckmin. Qual é a avaliação do período, o partido cumpriu as metas?

Covas – Ao tomar posse, em 1º de janeiro de 1994, como governador do estado, Mário Covas assumiu uma dívida de US$ 30 bilhões, um quarto com vencimento imediato. Também assumiu um estado com uma enorme cratera social com salários baixos para professores, médicos e policiais.  Nos quatro anos do governo de Luiz Antonio Fleury, o estado não conseguiu avançar um metro das três linhas de metrô iniciadas por Orestes Quércia. Havia também uma lista de hospitais com obras paradas. Sem dúvida, um dos piores, mais difíceis e graves momentos de São Paulo. Havia, portanto, um caminho difícil a ser seguido.  Por mais que pusessem em risco sua popularidade, Mário Covas nunca deixou de tomar medidas duras para “colocar a casa em ordem”, como costumava dizer.

Em apenas seis anos, alguns dos quais em clima de crescimento contido da economia nacional, Covas conseguiu transformar um déficit que representava 21,7% do Orçamento paulista num superávit primário de R$ 1,5 bilhão e deixar para o sucessor um superávit de R$ 3 bilhões.

Por meio de renegociação de dívidas, um intenso programa de privatizações, a extinção de órgãos estatais supérfluos ou ineficientes, demissões de funcionários que não trabalhavam ou se sobrepunham e a obediência estrita à filosofia de só gastar o que arrecadasse, Covas recuperou os escombros de oito anos de destempero e inconseqüência na administração do governo de São Paulo.

Foi necessária incomum vontade política para seguir esse roteiro e contrariar as expectativas de correligionários que o ajudaram a se eleger e esperavam ver seus anseios atendidos.

Além de “colocar a casa em ordem”, Covas ainda foi pioneiro na exposição antecipada da programação financeira para o exercício fiscal, com garantia de cumprimento de cronograma de obras e programas sociais em andamento. Com isso, assegurou o controle pelo público das contas estaduais.

Em resposta: sim, o PSDB cumpriu totalmente seu compromisso com o estado e com a população de São Paulo.

P&A – O PSDB tem o mérito de ter acabado com a inflação com o Plano Real, na gestão FHC. Os preços voltaram a subir. A inflação deve ser o mote de campanha para que o partido retome o poder em Brasília em 2014?

Covas – Perfeito. É fundamental ser fiel à história, aos fatos. Foi o PSDB, na gestão de Fernando Henrique Cardoso, com o Plano Real, que colocou o país nos trilhos. É lamentável ler e ouvir inverdades que querem dizer que o Brasil começou sua história há dez anos. A estabilidade econômica foi um legado tucano, agora comprometido. A população já percebeu que estamos à deriva e quer mudança.

P&A – Na sua avaliação Aécio Neves é nome do tucanato para governar o Brasil no momento?

Covas – Aécio Neves é um dos melhores nomes do país. Experiente, determinado, honesto, já testado e aprovado pela população. O PSDB tem em seu presidente nacional um nome, sem dúvida, capaz de colocar o Brasil novamente nos trilhos.

P&A – Bruno Covas se assemelha a Mario Covas em quais pontos?

Covas – Espero que em muita coisa. Ele foi meu modelo, fonte de inspiração. Me fez acreditar que é possível ter ética na política. E que a política levada com seriedade e compromisso é capaz de gerar as grandes e necessárias transformações sociais. Acredito e sigo isso.

P&A –  Até que ponto a figura de seu avô ajudou na sua trajetória e continua ajudando?

Covas – Tenho Covas no meu DNA. Minha trajetória, além de minhas próprias características, é baseada nesse modelo.

P&A – O Estado de SP evoluiu nas questões ambientais na última década?

Covas – Significativamente. Hoje a questão ambiental é transversal. Significa desenvolvimento baseado em qualidade de vida, bem estar, cidadania, respeito ao meio ambiente.